quinta-feira, 9 de abril de 2009

Depois da Santa Ceia...

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Mel Gibson retratou com dramaticidade ímpar as últimas 12 horas da vida de Jesus. E é justamente nesse período que se concentra o que há de mais importante no Cristianismo. É nele que, segundo os cristãos, se cumpre o propósito para o qual o Verbo se fez carne. Mais importante do que todas as curas, mais importante do que andar sobre as águas, mais importante do que acalmar a tempestade, mais importante do que transformar água em vinho, mais importante, enfim, do que qualquer milagre, foi o seu sacrifício. É por isso que nos lembramos dEle ainda hoje, é por isso que ainda hoje O celebramos, é por isso que ainda hoje partimos o pão em memória dEle.

Digo isso porque é importante resgatar a centralidade da Cruz de Cristo. Jesus não foi só um grande mestre, um grande líder, uma figura admirável. Não foi só um curandeiro, um milagreiro... Tampouco foi um revolucionário, um líder político. Ele era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Muitos viram os seus grandes feitos. Seus discípulos o acompanhavam de perto, diariamente o ouviam, testemunhavam a tudo quanto este fazia. Mas testemunhar tudo isso parece não ter sido suficiente para marcá-los com a profundidade necessária. Dos 12, um o traiu, outro o negou, e outros ainda entristeceram-se com sua morte e duvidaram de sua ressurreição.

Ainda assim, Jesus não desisitiu deles e, já ressurreto, lhes ordenou que anunciassem que ele era o Cristo. O livro de atos dos apóstolos narra o cumprimento da promessa de Jesus, o envio do Espírito Santo e o subsequente ministério apostólico. Cheios do poder de Deus, anunciavam o evangelho com ousadia. Veio a perseguição, mas eles bem sabiam em quem criam. Resistiram a tudo. Se hoje há cristianismo, devemos isso aos heróis da fé, àqueles que julgaram a mensagem do evangelho mais importante que suas próprias vidas, àqueles que mesmo nas condições mais adversas, não esmoreceram e insistiram em anunciar a boa notícia do Reino de Deus.

Hoje, olhamos o testemunho daqueles homens e nos envergonhamos da nossa omissão, da nossa tibieza, do nosso comodismo, da nossa covardia. Nesse tempo em que relembramos o sacrifício do Cristo por nós, pensemos no que temos sacrificado por ele. Digo essas coisas todas sob o impacto de um vídeo que mostra igreja perseguida do Século XX e XXI. Sim, isso ainda existe. E a crueldade não é menor; mas, ora bem, a Graça também não é menor. Vejam o vídeo, orem pela igreja perseguida, orem pelas crianças.

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Já há tempos venho dizendo que temo pelas novas gerações. Nos últimos dias tenho aprendido que só temer e reclamar não muda nada. Importa, sim, fazer diferença. Como? Ainda não sei! Mas que suponho que tal incômodo já é o início de uma mudança em mim. Uma coisa é ser competente o bastante para criticar. Outra, bem diferente, é ser competente para fazer a coisa acontecer. O me miserum.

Kyrie eleison.