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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mais Viktor Frankl




Este blogue está moribundo, mas não morto. De tempos em tempos, apareço por aqui e posto alguma coisa. Dessa vez, publico mais uma entrevista do Dr. Viktor Frankl. Nesta, ele fala a respeito do lugar da religião na logoterapia. A tradução e as legendas são minhas. E, por isso, peço desculpas antecipadamente...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A teimosia divina

Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. (II Cor. 5:18-20)

Aqui e ali se ouvem severas críticas ao chamado apelo comercial do Natal. Mais do que isso: com aquele ar de descaso, muitos afirmam que se trata de uma comemoração atrelada a um consumismo exacerbado, na qual importa consumir, consumir, comprar e comprar. Embora seja meio difícil negar tal realidade, há uma peculiaridade que o distingue das demais datas comemorativas.

A que me refiro?

Refiro-me ao fato de que, em geral, as pessoas estão mais inclinadas a pensar nos outros. Parece-me haver uma nítida diferença entre aquela compulsão neurótica por consumir e ter e o pretenso consumismo natalino. Quando saio para comprar um presente, tenho necessariamente de pensar naqueles a quem pretendo presentear; tenho de imaginar o que poderia agradar, o que poderia ser útil, o que, enfim, poderia trazer um pouquinho de alegria. E é, sim, muito bom dar presentes. Ganhar também, claro.

Estou dizendo isso porque essa tradição, esse hábito, esse costume, seja lá como queremos chamar, revela algo sobre a natureza humana. O homem não é um fim em si mesmo. Ninguém é auto-suficiente, ninguém pode dizer que se basta. Temos sempre a necessidade de ou nos remeter a outrem, ou de nos sentir importante para alguém. É nesse contato com as pessoas que podemos vivenciar experiências que nos ajudam a compreender que a vida tem sentido. Viktor E. Frankl chamava a essa característica humana de estar sempre dirigido a algo ou alguém fora de si de autotranscência. Para Frankl, isso é o que torna um homem um homem.

Quem, então, poderia afirmar-se como absoluto, auto-suficiente? Quem poderia, pois, bastar-se a si mesmo? A única resposta que me ocorre é que Deus é auto-suficiente e se basta. Mas, ao contrário do que se poderia esperar, Deus se apresenta aos homens e os convida para relacionarem-se Consigo. Os homens, por sua vez, ora se aproximam dele, ora o renegam; ora o obedecem, ora se rebelam; ora são capazes de sofrer por fidelidade a Ele, ora são titubeantes. Enfim, quem ler os relatos bíblicos pode perceber que estes tratam basicamente dos desvios do homem e a insistência divina de se apresentar e de providenciar a reconciliação.

No Natal, celebramos o maior dos presentes divinos. A sinalização de que, apesar dos nossos descaminhos, Ele ainda nos ama, ainda se importa conosco e espera que nos acheguemos a Ele. O Natal é a festa da reconciliação, a solução definitiva para a teimosia do homem que se desvia. É uma espécie de teimosia divina.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Para além do cronista espirituoso

Leitores desavisados, acostumados com a superficialidade de uma rápida leitura do jornal, talvez ainda não tenham atinado com a perspicácia do cronista da Folha de São Paulo, JP Coutinho. Não se trata de um mero cronista que ora faz gracejos, ora assume posições polêmicas. Para além disso, ele é um estudioso sério, grande professor e dotado daquela capacidade de tratar com leveza e humor assuntos leves e com gravidade assuntos graves. Por que digo isso?
Porque tive oportunidade de conhecer um pouco mais do que o colunista da Folha. Fui aluno seu no curso que ministrou no IICS, em São Paulo. Reproduzo aqui a entrevista dada pelo gajo (como brinca o Martim) e publicada originalmente no site da Revista Dicta&Contradicta. Vale a pena conferir. Por enquanto, as duas primeiras partes.

Parte 1


Parte 2

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A experiência da efemeridade

Agradeço pelas mensagens de solidariedade que recebi em função do último post. Ele está lacônico assim porque foi escrito tão logo cheguei do velório de um amigo falecido em um acidente de moto. Como exorta o Eclesiastes, melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração. Saí do cemitério um tanto perplexo. O rapaz tinha apenas 22 anos. Era mais novo que eu.
Fui tomado por um temor, uma insegurança, uma sensação de que também eu, a qualquer momento, poderia cessar minha existência. Cheguei, sentei em frente ao computador e escrevi.
Repentinamente, me dei conta de quão mesquinho eu vinha sendo. A polêmica do dia é nada. A busca desenfreada pela atualidade é nada. O avanço tecnológico é nada. A oscilação da bolsa é nada. O resultado da eleição é nada. Tudo é nada quando experimentamos nossa própria efemeridade. E é importante sair daí sabendo que o tempo é curto, curto demais para encontrar o sentido da vida.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Como a neblina que desvanece...

Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É como a neblina que aparece por um pouco, e depois se desvanece. TG 4:14
Um nó na garganta, um aperto no peito, um lágrima indiscreta que insiste em querer mostrar-se. Nunca é fácil encarar momentos desse tipo. Olhares distantes, um grupo de amigos comenta aqui, outro acolá, a família se abraça. O motivo? Um acidente de moto. Como? Ninguém sabe! Quem foi o responsável? Ninguém sabe. Quanto tempo o socorro demorou? Ninguém sabe.

Não, não há indignação, não há furor, não há revolta. Há apenas um nó na garganta, um aperto no peito, uma lágrima indiscreta que insiste em querer mostrar-se. E um silêncio. Um silêncio sepulcral...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Não, não é o fim

Ao contrário do que a longa ausência de atualizações poderia sugerir, aviso: este blogue não morreu; aliás, tampouco os seus autores. Ouvi dizer que blogues são coisas de solitários ou de desocupados. Tirando, claro, o caso daqueles que de fato têm o que dizer e que conseguem até extrair dividendos de sua atividade. Os autores deste blogue não pertencem a nenhuma das categorias.
Basta um pouquinho de paciência e, em breve, contrariaremos o tal dito! Aguardem!

sábado, 14 de junho de 2008

Uma latência na alma

Uma cena que muito me impressionou, desde a primeira vez em que a li, foi a prisão de Fabiano, em Vidas Secas. Dada a injustiça das circunstâncias, o pobre sequer consegue proferir palavra em sua defesa e limita-se a desejar ser o Seu Tomás da Bolandeira. No mesmo livro, noutra cena igualmente impressionante, dado o deslumbramento dos meninos — o mais novo e o mais velho— quando chegam à cidade e vêem as luzes todas, a igreja, a festa enfim, atônitos, perguntam entre si: Será que essas coisas todas têm nomes?
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Assim Olavo de Carvalho começa o seu artigo "O abandono dos ideais":
Quando as palavras saem da moda, as coisas que elas designam ficam boiando no abismo dos mistérios sem nome; e como tudo o que é misterioso e inexprimível oprime e atemoriza o coração humano com uma sensação de cerceamento e impotência, é natural que a atenção acabe por se desviar desses tópicos nebulosos e constrangedores. Pois o que desaparece do vocabulário logo acaba por desaparecer da consciência: o que não tem nome não é pensável, o que não é pensável não existe — tal é a metafísica dos avestruzes.
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Em 1984, de George Orwell, já clássico por abordar a manipulação da linguagem como instrumento de poder, cria-se a novilíngua. "É lindo destruir palavras. Imagine, por exemplo, como reivindicariam liberdade se simplesmente não existisse a palavra liberdade."
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Há bem pouco, li o livrinho de Paulo Rónai Como aprendi português. Nele, um artigo em especial chamou minha atenção: Uma geração sem palavras. Rónai, grande tradutor que era e, segundo ele mesmo, professor por vocação, trata da escassez de vocabulário dos jovens... da década de 1950!!! (para aqueles que se incomodam com exclamações repetidas, essas são perfeitamente justificáveis. É de fato um espanto saber que já na década de 1950 Rónai trazia à tona tal problema. De lá pra cá, a situação só piorou.)
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Dia após dia, tenho observado a escassez de vocabulário das novas gerações. A limitação é tal que mal se pode esperar que compreendam uma piada que não seja óbvia. Os adjetivos se reduzem a "osso" e "suave"; entre os substantivos, basta o universal "baguio"; há o vocativo igualmente abrangente "mano", que se alterna com "truta"; como elemento coesivo, temos o "tipo assim" e o "daí né"; os elementos fáticos "tá ligado" ou "ce tá entendendo?"; uma ou outra interjeição, e só! Assim, se nada for feito, bastarão mais duas gerações para que todos admirem a eloqüência de Fabiano, da mulher, do menino mais novo, do menino mais velho...
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Liberdade? Que é liberdade? Lá vem você com essas palavras esquisitas que ninguém nem usa mais!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Homens que voam

Sic puerum audacem perire vidimus.
Quando a história do padre baloeiro veio à tona, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: “padre idiota”. Pra quê, Deus do céu, encher-se de bexigas e sair por aí, voando entre nuvens? As operadoras de turismo oferecem condições especiais de pagamento para a terceira idade...então, por que se arriscar numa empreitada cujo retorno é incerto? Confesso que sou um preguiçoso quando o assunto é viagem. Superei a idéia de desbravar o mundo de mochila nas costas ainda na adolescência, quando imaginei - não sei por que razão - que poderia acordar num lugar exótico sem ter a possibilidade de escovar os dentes.

Mas o que mais reprovo em viagens desbravadoras é a necessidade de propaganda: não basta viajar, é necessário divulgar a aventura (e nesse ínterim quem sofre são os familiares e amigos próximos, que são obrigados a emprestar audiência para fotos, causos, ímãs de geladeira). A viagem nunca é um fim em si mesmo: ela só é completa quando eu posso contar a alguém as belezas que conheci, as aventuras que vivi, a comida que comi.

Nesse sentido, invejo o tal padre. A grande viagem, ou a verdadeira, é a que não lhe dá garantia de retorno. É aquela que não estabelece roteiros predeterminados, escalas, horários ou mapas. O clérigo fez a viagem — embora involuntária — que todo homem deveria fazer um dia: aquela que despreza o GPS. E não me venham com essa conversa de que o padre morreu. Não! Homens que voam não morrem. Desconfio que o malandro esteja ancorado em algum lugar inabitável, conversando com o Divino, ou planejando a próxima missão.

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“Alguém poderia me explicar como usa esse ‘tal’ de GPS”, disse o velho em seu último contato. Mais um pouco e teria dito: “afasta de mim esse cálice”. Tarde demais.
Padre idiota, Deus do céu!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A celeuma do dia

Einstein em um de seus momentos de oração (hehehe!)


Mais uma vez está na pauta do dia a polêmica entre religiosos e ateus. Há, sim, uma militância anticristã bastante barulhenta. Desde há muito, quem quer que circule nos meios acadêmicos, ou qualquer outro lugar onde haja a pretensão de intelectualidade, sabe que o tom de desprezo pelos religiosos é recorrente. Não é de hoje que pretendem desautorizar o discurso religioso simplesmente porque religioso. O que tem havido atualmente é um recrudescimento desse desprezo. Ateus resolveram partir para o ataque. Trata-se de uma espécie de proselitismo ateístico. De todos os polemistas do dia, o que me pareceu mais pernicioso é o tal do Phillip Pullman. Vai virar assunto depois!


Retomando. Escrevo esse post para tratar da tal carta de Albert Einstein declarando seu desdém pela religião. Como sabemos, e sobretudo depois da internet, há uma profusão de textos apócrifos circulando por aí com historinhas interessantes atribuídas a grandes personagens da ciência. Dia desses recebi um a respeito de Louis Pasteur. O e-mail dizia se tratar de fato verídico que consta na biografia oficial, etc., etc. Só que não dava a referência!!! Aí, meus caros, por mais que houvesse algum valor na moral da história, o simples fato de ser apócrifo já era suficiente para abalar a credibilidade do texto.


A caricatura do cristão como o crédulo boboca, o ingênuo que adere a qualquer discurso, o fracote que precisa de alguma coisa em que se sustentar não é, de forma alguma, sem razão. Que dizer agora? Aquele aforismo que dizia “um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos aproxima dele” pertence a quem? Já cheguei a vê-lo atribuído a Einstein. Talvez até do púlpito, não estou muito certo. Indo ao ponto, escrevo mais como uma exortação aos crentes que como uma censura ao cientista.


Em meio a tudo isso, fico feliz por ter amigos ateus, mas com bom senso. Aliás, a verdade vale mais que um simples compactuar de sentimentos comuns. Não somos nós contra eles. Não pode haver corporativismo nessa história. Digo isso porque a voracidade estúpida dos neo-ateus não será menor do que a não menos estúpida reação de alguns religiosos. Então devagar com o andor. Coloquemos as coisas no seu devido lugar. Ninguém é melhor ou pior porque cristão. Ninguém é melhor ou pior porque ateu. Somos todos humanos. E sujeitos a erros. Um pouco de bom senso é bom e eu gosto. E como gosto, divulgo. Segue texto do meu amigo Alex Lennine, que cursa a graduação em filosofia comigo. Pensei em fazer duas ressalvas ao texto dele, mas publico primeiro tal como o recebi. Polemizo depois, se me sobrar vigor!


Um modo ingrato de colocar as coisas, afinal


É comum que as pessoas busquem grandes exemplos na História a fim de darem ares de seriedade, profundidade e verdade a suas crenças. O velho (e mau) argumento de autoridade.


Einstein é um dos mais disputados. Religiosos e não-religiosos alternam-se em citações para demonstrar que ele era, afinal, religioso e cria em deus; ou não era religioso, mas ateu. Mas há muitas razões para alguém ser, bem como não ser religoso e acreditar ou não em deuses. Só ocorre que inteligência e caráter não estão entre elas – são tão mal distribuídas lá como cá.


Muitos religiosos são decididamente desonestos ao tentar atribuir a Einstein algum aspecto religioso e teísta quando ele sempre deixou claro que “seu deus era o deus de Spinoza” - algo mais diferente que um deus pessoal, criador e interventor que o deus de Spinoza, convenhamos, é difícil sequer de imaginar.


A religiosidade a que ele se referia é aquele sentimento de assombro, de perplexidade, que é anterior e *causa*, não conseqüência, da religião – que está na causa também da filosofia, das ciências, das artes... e não foi cooptado por nenhuma dessas esferas. Eis, pois, um dos problemas da religião: mesmo quando a defender e encarnar valores bons, úteis, ela os enquadra, os seqüestra, os enforma. E então eles deixam de ter valor em si e passam a ter valor “porque” religiosos.


É neste sentido que, afinal, há alguma justificativa para os ateus buscarem bons exemplos de ateus na História: os ateus que são os discriminados, os injuriados, os acusados. Que precisam provar que não são imorais, que não têm raiva de deus (ou todos os que não acreditam no Papai-Noel não acreditam nele “porque” não recebiam presentes e por isso têm-lhe raiva?). Exemplos como Einstein, nesta nova carta, têm esse valor.


Mas somente esse. O fato de igualmente haver tantos gênios e tantos grandes homens e mulheres teístas e religiosos também deveria ser suficiente para calar os ateus que se acham superiores simplesmente porque ateus.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Tiro no pé: ainda a ortodoxia



Embora na última mensagem o Capitão Nascimento estivesse apontando sua arma para baixo, o título desse post não se refere a ele, não. Refiro-me a um tópico mais abaixo, no qual indico um curso sobre a Ortodoxia, de Chesterton. Minha motivação? Uma conversa que tive ontem com alguns colegas de faculdade.
Sou cristão. Mais ainda: sou cristão protestante. Sou Metodista. Quem conhece um pouquinho da história do cristianismo sabe bem que os metodistas descendem da Igreja Anglicana e são fruto de um, chamemos assim, despertamento espiritual de John Wesley, no séc. XVIII. Tenho de afirmar isso porque, embora tenha um certo orgulho de dizer que sou o que sou, ontem fiquei profundamente envergonhado diante das histórias todas que me foram contadas acerca do que anda acontecendo em muitas igrejas ditas cristãs por aí.
Juro, juro mesmo, não sabia que aquelas coisas todas pudessem acontecer. A mim eram inimagináveis. Gente que se arroga o poder divino e, com um misto de má fé e ignorância, manipulam multidões. Querem exemplos?
Há o caso do pastor que, por não entender determinada passagem bíblica, entendia que Deus o estava mandando adulterar. Esse caso ficou famoso, foi parar na televisão e tudo. Outro é o do pastor que só conseguia pregar depois de cheirar cocaína. Vai ver ele carecia de outro tipo de inspiração... Piores ainda são as outras, que se dão no campo das "representações simbólicas". Dizer que há pessoas que se sentem enobrecidas por pertencer a uma igreja cujo pastor traja as melhores vestes ou tem um carro importado, ou cujo templo é suntuoso, me pareceu uma discrepância tão absurda, mas tão absurda, que sequer sou capaz de verbalizar o asco que senti!
Sem falar no que se refere aos absurdos teológicos: tititi, tátátá, eis que te digo e blablablá!

Que dizer? Acho que os padres da Igreja tinham mesmo razão ao afirmar que cabia ao magistério a intrepretação das sagradas escrituras. Pelo menos não teríamos o samba do criolo doido que temos visto por aí.

Se não a Ortodoxia do Chesterton, fiquemos ao menos com o Mero Cristianismo* de C. S. Lewis.


*Mero Cristianismo é o título da edição da editora Quadrante, com tradução de Henrique Elfes. A Martins Fontes publicou o mesmo livro com o título Cristianismo Puro e Simples. O tradutor eu ignoro...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Sobre o sentido da vida e o especificamente humano

Como pretendo redigir eu mesmo um pouco do que tenho aprendido no curso de formação em logoterapia, ministrado pela Sobral, apresento apenas um excerto de Gabriel Perissé, citando o próprio Viktor Frankl:

***

O criador da Logoterapia, Viktor Frankl, relata que certa vez foi ministrar uma palestra num presídio norte-americano e lá soube de um homem chamado Aaron Mitchell, condenado à morte, que na manhã do dia seguinte seria executado na câmara de gás. Pediram ao Dr. Frankl que lhe dirigisse algumas palavras. O problema é que só poderia comunicar-se com ele por intermédio de um microfone, de modo que todos os demais presidiários o ouviriam também:

“Imaginem a situação e a minha vergonha diante desse pedido. Mas eu tinha de dizer alguma coisa ao condenado, e acabei improvisando mais ou menos estas palavras — ‘Sr. Mitchell, de alguma forma penso que posso compreender a sua situação. Afinal, também eu vivi alguns anos à sombra da câmara de gás. Mas, acredite em mim, mesmo naquela situação não duvidei em momento algum do sentido incondicionado da vida. Ou a vida tem um sentido, e então ela o retém mesmo que vivamos um tempo relativamente curto; ou, se não o tiver, não o ganharia mesmo que vivamos toda a eternidade. Até uma vida falhada, cujo passado parece totalmente destituído de sentido, pode ainda ser preenchida de forma retroativa pela maneira como tomamos posição diante de nós mesmos e nos transcendemos a nós próprios nessa tomada de posição.’

Mais, clique aqui.

Ortodoxia


Definitivamente, estamos todos condenados à liberdade. Cada escolha exige necessariamente uma renúncia. Não estou muito certo, mas acho que foi Jean Guitton, em sua Arte de Viver e Pensar, quem disse que aquele que sabe não desprezar também não sabe valorizar.
Por que estou dizendo isso? Porque tenho visto uma porção de eventos de que gostaria de participar, livros que gostaria de ler, músicas que gostaria de ouvir, pessoas com quem gostaria de estar e acabo tendo de me restringir por causa de uma escolha. E é sempre possível ter tomado a decisão errada.

Costumo dizer que as obrigações acadêmicas com freqüência atrapalham os estudos. Eis um caso. Infelizemente, não poderei participar dessa discussão sobre o texto de Chesterton. Para aqueles que dispõem de tempo, vai a dica. Divulgação encaminhada pela É Realizações:

FINALMENTE COMEÇA, EM MAIO, NA IGREJA NOSSA SENHORA DO BRASIL, O GRUPO DE LEITURA COMENTADA da "ORTODOXIA" de G. K. CHESTERTON
G. K. Chesterton foi um dos mais brilhantes intelectuais do século XX, debatendo publicamente com os maiores representantes das correntes materialistas, como Bernard Shaw. O resultado é a melhor interpretação filosófica do cristianismo já escrita.
Durante dez noites, com intervalos mensais, você lerá em São Paulo a obra "Ortodoxia" de Chesterton, com comentários e orientação de José Monir Nasser.
As datas já determinadas são as seguintes: 15 de maio, 19 de junho, 17 de julho, 14 de agosto, 4 de setembro, 2 de outubro, 30 de novembro e 11 de dezembro. Há duas datas ainda por definir.
As dez noites, perfazendo 35 horas de aula, custam R$600,00, incluindo o livro. O valor pode ser pago em três cheques.
Os encontros serão na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, que fica na avenida Brasil esquina com avenida Colômbia.
Informação e inscrições até o dia 12 de maio com Patrícia pelo e-mail triadeeditora@triadeeditora.com.br <> ou pelo fone (041) 3363-7600.
Vagas limitadas.

domingo, 11 de maio de 2008

Aslam

Há quem considere "As crônicas de Nárnia" uma história boboca; outros a acham evidente demais; alguns cristãos a acham uma história pagã; outros exaltam suas virtudes. Pertenço a esse último grupo!
Pra ilustrar, Aslam!