quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Para além do cronista espirituoso
Porque tive oportunidade de conhecer um pouco mais do que o colunista da Folha. Fui aluno seu no curso que ministrou no IICS, em São Paulo. Reproduzo aqui a entrevista dada pelo gajo (como brinca o Martim) e publicada originalmente no site da Revista Dicta&Contradicta. Vale a pena conferir. Por enquanto, as duas primeiras partes.
Parte 1
Parte 2
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Rumo ao nada?
Sigmund Freud afirmou em certa ocasião: "Imaginemos que alguém coloca determinado grupo de pessoas, bastante diversificado, numa mesma e uniforme situação de fome. Com o aumento da necessidade imperativa da fome, todas as diferenças individuais ficarão apagadas, e em seu lugar aparecerá a expressão uniforme da mesma necessidade não satisfeita."Graças a Deus, Sigmund Freud não precisou conhecer os campos de concentração do lado de dentro. Seus objetos de estudo deitavam sobre divãs de pelúcia desenhados no estilo da cultura vitoriana, e não na imundície de Auschwitz. Lá, as "diferenças individuais" não se "apagaram", mas, ao contrário, as pessoas ficaram mais diferentes; os indivíduos retiraram suas máscaras, tanto os porcos como os santos.
A vida no campo de concentração ensejava sem dúvida o rompimento de um abismo nas profundezas extremas do ser humano. Não deveria surpreender-nos o fato de que essas profundezas punham a descoberto simplesmente a natureza humana, o ser humano como ele é — uma liga do bem e do mal! A ruptura que perpassa toda a existência humana e distingue bem e mal alcança mesmo as mais extremas profundezas e se revela até no fundo desse abismo aberto pelo campo de concentração. Ficamos conhecendo o ser humano como talvez nenhuma geração humana antes de nós. O que é, então, um ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é. É o ser que inventou as câmaras de gás; mas é também aquele ser que entrou nas câmaras de gás, ereto, com uma oração nos lábios.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
É HOJE!
A essa altura, todos os organizadores já estão mobilizados para que tudo corra bem. Sei que para muitos que me lerem durante o dia restará apenas a oportunidade de fazer um lamento do tipo "Poxa, perdi!". Para aqueles que, como eu, conseguirão pegar pelo menos parte do evento, fica a dica. Reproduzo abaixo a parte da programação que, creio, conseguirei assistir:
17h00 – 18h30 :: Sessão Especial
O Mal no relativismo
(Mediação: Maria Cristina Mariante Guarnieri)
- Prof. Dr. Leandro Karnal (UNICAMP) :: A demonização dos vícios e dos males indígenas nas obras coloniais.
- Prof. Dr. Luiz Felipe Ponde (PUC-SP) :: Moral como hábito.
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18h30 – 19h00 :: Intervalo
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NOITE
19h00 – 20h40 :: Sessão V de Comunicações do NEMES-PUCSP
Existe o Bem possível?
(Mediação: Maria José Caldeira do Amaral)
- Doutoranda Ana Cláudia Patitucci :: A Tragédia Grega e a questão do Mal.
- Drª Maria Cristina Guarnieri :: Mal e Liberdade em Kierkegaard e Berdiaev.
- Ms Jacqueline Sakamoto :: O Mal na Estética da Queda em Dostoiévski.
- Ms Rodrigo Inácio :: O anti-procriacionismo como crítica antropológica radical em Emil Cioran.
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20h40 – 22h30 :: Sessão Especial de Encerramento
O Mal na Filosofia e na Teologia, num espaço moderno e contemporâneo
(Mediação: Prof. Dr. Luiz Felipe Pondé)
- Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Junior (UNICAMP) :: A Positividade do Mal em Schopenhauer.
- Prof. Dr. Eduardo Rodrigues da Cruz (PUC-SP) :: Um Embate Contemporâneo sobre o Mal - Teologia Judaico-Cristã versus Teologia Transhumanista.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Número 2
Interrompo o longo período de silêncio por aqui para anunciar que em breve o número 2 da Revista Dicta&Contradicta estará em circulação. Na ocasião do lançamento da revista, houve alguma polêmica, tentaram impingir a pecha de revista da Opus Dei, de direita, etc., etc. Mas houve também uma boa receptividade. Passados já seis meses, a revista volta a mostrar a sua cara.Quem quer que a tenha lido poderá atestar sua qualidade. Além da sobriedade do projeto gráfico, os textos são muito bons. Isso significa que tudo o que nela vem publicado deve ser simplesmente aceito, acriticamente? Dãã, claro que não! Quer dizer apenas que, mesmo quando ela dá voz a autores pouco conhecidos, ou antes, pouco populares, eles o fazem com competência. E a atitude mais inteligente diante disso não é a rejeição pura e simples, baseada em opiniões pré-formadas, em preconceitos. Pelo contrário, o importante é procurar compreender o que estão dizendo. Mais do que isso: sem ter as referências compartilhadas, fica difícil de fazer uma crítica bem fundamentada.
Então é isso. O que eles fazem, e muito bem, é pôr em circulação no Brasil autores ignorados ou rechaçados pela academia.
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A previsão é que o lançamento seja feito no dia 08/12, na livraria Cultura da Avenida Paulista. Mas essa ainda não é uma informação oficial. Aguardemos!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Antes e depois de Obama

A verdade, contudo, é que apesar das promessas de tempos áureos e novas felicidades, me parece que a vida continua seguidora de sua lógica pouco ortodoxa: tão imprevisível e insuportável (para a maioria) quanto ontem. O trânsito, pelo que vejo, mantém-se apocalíptico; minhas contas chegaram com a pontualidade britânica de sempre; o céu está cinza; os livros continuam caros. Em suma: a vida continua rigorosamente a mesma. A idéia de dividir nosso século em AO/DO (Antes de Obama, Depois de Obama), me parece precipitada e insalubre.
Precipitada porque não se sabe o que é Obama. Apesar dos sonhos vendidos, a chamada vida real é mais complexa do que os discursos apaixonados e apaixonantes proferidos durante a campanha. Insalubre porque exige dispensar à política algo que ela não merece: fé. E quando digo “fé” refiro-me justamente àquela descrição bíblica: a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem. E a razão de minha preferência ao ceticismo é muito simples: a política é, em si, insuficiente. Ela é incapaz de abarcar os vícios que produzimos diariamente, de satisfazer nossas paixões íntimas. Por isso, a felicidade nunca – exagero? – é um produto (unicamente) da política.
Obviamente isso não significa que devemos repudiar a política, suas causas e resultados; não significa tampouco deixar de vigiar, fazer escolhas, exigir melhorias e, no extremo, acreditar em “um novo mundo”. Nada disso. Trata-se apenas de colocá-la em seu devido lugar, saber até onde ela pode nos levar, conhecer seus limites. Caso contrário, a ascensão de Obama – ou de qualquer outro candidato a santo - terá o efeito de um livro de auto-ajuda: um alívio momentâneo que se dissolve diante da dureza da realidade.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Letramento
as letras saíram para brincar.
O menino, muito ativo,
estava com palavras a formar.
Juntou, pois, todas as letras,
e fez uma exclamação:
– Cada uma de vocês
terá uma missão.
Tudo o que eu falar
vocês devem obedecer,
depois perceberão
um milagre acontecer.
As letras todas, espantadas,
estavam a hesitar:
– Que será que esse menino
com a gente vai aprontar?
Até que uma delas,
o “A”, sempre presente,
traqüilizou as demais:
– O menino é inteligente,
ele sabe o que faz.
– Formem grupos – disse o menino.
E aí começou a confusão.
A, E, I, O, U não sabiam a sua função.
– Vocês têm muitos amigos,
com todos vão se juntar.
Parem já com essa briga
e comecem a criar.
As letras de mãos dadas
passaram a desconfiar:
– Será que é importante
ocupar este lugar?
O menino, sorridente,
sem demora respondeu:
– Vocês são um presente
que fiz p’rum amigo meu.
As letras não entenderam:
– Como assim, você vai dar a gente?
E se ele nos maltratar?
– Esse meu amigo é mágico,
Tudo faz multiplicar.
Então vocês numerosas,
quando já forem famosas,
verão o milagre de que falei.
Crianças do mundo inteiro
saberão de sua história,
a história que contei.
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I SEMINÁRIO NEMES: O Mal está entre nós?
O núcleo de estudos em mística e santidade da PUC-SP, dirigido pelo Professor Luis Felipe Pondé, realizará no dia 28/11 o I Seminário NEMES: O mal está entre nós? A programação está disponível aqui.Minha intenção é estar lá, mas como ainda não tenho de certeza que será possível, divulgo. Clique na imagem para ver o cartaz em tamanho ampliado.