sábado, 7 de fevereiro de 2009

A gente não quer só comida

Rua Augusta. Como de costume, um alvoroço. Sobe e desce de carros, música alta, gargalhadas. Mesas de bar nas calçadas. Grupos de moderninhos e descolados bebiam festivamente, discutindo a fotografia do último filme, comentando a “eleição histórica do presidente negro” ou censurando ao que entendiam por conservadorismo da sociedade, da mídia, essas coisas.

À distância, o menino maltrapilho, já um observador mais arguto que muito psicólogo academicamente treinado, olha atentamente para o bar e escolhe a quem vai abordar. Acostumado com o enxotar meio cúmplice meio impiedoso dos garçons, espera atentamente a oportunidade de se aproximar. O garçom leva as cervejas para a mesa lá de fora e volta para atender às demais.

Eis a oportunidade. Com um olhar singelo (talvez ensaiado), o menino faz sua abordagem:

— Tio, dá uma moeda?
— Não tenho!
— Ah, vai tio, dá uma moeda...
— Pra que você quer?
— Pra comprar um negócio...
— Cê tá com fome? Quer um lanche? Me fala que eu te pago.
— Não, tio. Me dá uma moeda...
— Não vou dar, não. Você deve estar querendo usar droga...
— Não, tio...
— Então me fala, pra que você quer?
— Ah, é que eu queria ir na lan house entrar no orkut...

3 comentários:

Como Se Pode Ver a Vida? disse...

rsrs....esse é ótimo!

Me toca o coração...

Aqui é visivel como entre os distintos universos sociais sempre há um lugar comum a qualquer um

Anônimo disse...

eu estava lá...hauhauhauhau

claro que o diálogo entre pedinte e pedido foi longo e engraçado...rs

Raquel.

Lídia disse...

hahhhahaha...
Muito bom!

Isso me lembra um menina que me parou pedindo para que eu cmprasse um doce dele...eu não tinha grana na hora, e ele insistia..."mas levra pra sua mãe tia, pro seu pai", não tenho amor... "leva pro seu namorado, pra sua irmã, pros seus irrmãos"...eu não tenho "leva pro seu cachorro, pro papagaio"

shuashaushaushuahs
Juro que ele disse isso... me lembro como se fosse ontem.

Beijos!