quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Lei Seca e os caprichos da física


Passadas três semanas desde a implantação da chamada Lei Seca, os números animam. O atendimento nos hospitais especializados em traumas, na cidade de São Paulo, caiu 55%. A relação é óbvia: apesar de “o” de bêbado não ter dono, quem tem tem medo. Imagino, porém, que essa panacéia logo passará. A fiscalização ficará mais frouxa, os policiais se renderão aos trocados da impunidade, os motoristas perderão o medo e as coisas voltarão ao normal na Banânia. Fique calmo, amigo pé inchado, em breve sua diversão estará novamente garantida.

Mas o detalhe mais surpreendente dessa discussão é a chamada “sorte de bêbado”. O Santo Protetor dos pau-d'águas é inquestionavelmente poderoso. Tente se recordar do último acidente envolvendo pinguços no trânsito: famílias dizimadas, carros destruídos, e eis que aparece o bonitão do motorista dando entrevista, sendo vítima apenas das enigmáticas “escoriações”. É batata: por algum capricho da física (mecânica ou cinética?) o motorista embriagado nunca morre. O álcool, me parece, é mais eficaz que os airbags e cintos de segurança. O problema, claro, é que essa proteção não se estende a terceiros. É pessoal e intransferível. E é para equacionar essa pendenga metafísica que surge a necessidade de uma legislação que coíba os excessos.

Só acho que as punições poderiam ser mais criativas. Tirar 900 pilas do bolso do ébrio não o fará refletir sobre seus atos. Nem mesmo a cassação da CNH produzirá efeito imediato. Nada de xilindró: minha sugestão é que o sujeito flagrado dirigindo alcoolizado seja obrigado a consumir cerveja sem álcool pelo resto da vida. Além de humilhante, a medida traria consigo um valor simbólico verdadeiramente eficaz: imagine o meninão pedindo uma Kronenbier no boteco. Nada é mais produtivo do que a pedagogia do ridículo.

2 comentários:

asasasasasas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
monkina disse...

Quero morrer sua amiga!!